Sobre este espaço

Este é um espaço destinado à reflexões acerca da memória, do tempo e de histórias.. Histórias de vida, histórias inventadas, histórias... Um espaço onde a imaginação possa fluir, viajar. Um espaço também para escrever sobre minhas reflexões referentes aos meus estudos sobre arqueologia e antropologia... Antes de mais nada, uma espécie de Diário daquilo que me impulsiona, um lugar para organizar (ou tentar) meus pensamentos.. antes que eles voem por aí.

Boa exploração!

Roberta Cadaval

sábado, 12 de maio de 2012

Hoje é dia de Pa(z)i!

12 de maio de 2012. Se meu pai estivesse aqui, hoje, estaria 'desfazendo' 75 anos. Passei o dia pensando que este é o segundo ano que comemoro a sua existência sem a sua presença. No ano passado, lembro que fui até a casa em que moramos por muitos anos, a casa em que ele ainda morava quando partiu. Naquele dia, encontrei escritos seus, momentos e lembranças invadiram meu corpo minha mente. E a saudade fez meu coração bater mais forte. Hoje passei o dia pensando... gostaria de fazer alguma homenagem a este grande homem, que me inspirou tanto e que continua a me inspirar. O dia passou, fiz inúmeras atividades cotidianas e ao fim do dia assisti ao filme "Vegana" (do Instituto Nina Rosa). E pensei, "As atitudes da personagem princípal me faziam pensar tanto nele... Tá aí a homenagem!" O filme me despertou mais e mais lembranças boas do meu pai. E por essas lembranças gostaria de agradecê-lo por suas atitudes.


Meu pai não me dizia o certo e o errado ou o bom e o mal. Meu pai agia e suas atitudes me inquietavam e me faziam pensar. Como não se espantar diante de alguém que cultiva uma amizade com aranhas ou lagartixas? Como não se espantar diante de alguém que se emociona pela impossibilidade de salvar a vida de uma abelha? Como não se espantar diante de alguém que conversa com violetas? Como não se espantar com alguém que recebe um animal desnutrido de braços abertos e ainda dorme abraçado com ele? Eu só poderia me encantar e me orgulhar de ter um pai que me ensinou, através do exemplo, o respeito pela vida. Alguém que me mostrou o caminho para a paz, através do amor. Meu coração bate cada vez mais forte quando penso na falta que ele faz, não apenas para mim, mas para todos esses seres que ele tanto amou e respeitou. 

Dizem que, quando as pessoas partem, tendemos a idolatrá-las, ocultando seus defeitos e exaltando suas qualidades. Não serei hipócrita e não ocultarei o fato de que este mesmo ser de quem tanto me orgulho, já prendeu pássaros para ouvir o seu canto. Assim como um dia, também já se alimentou de animais. Sim, ele fez isso. Mas quando parou para pensar no significado e nas implicações disso, mudou suas atitudes, abrindo a porta da gaiola para que o pássaro pudesse exercitar suas asas e explorar o mundo e não contribuindo mais para o sofrimento dos bois, dos porcos, das vacas e dos peixes. Acho que todo ser humano é cheio de incoerências e isso é normal. E o que acho bonito é aquela pessoa que faz a autocrítica e busca a transformação - por um mundo e por um ser melhor.  

Queria parabenizar o meu pai por ter sido, para mim, um exemplo de como me relacionar com o mundo. Acho que esse é o maior legado que alguém pode deixar: marcas e motivações em busca de paz em outros seres humanos. Se luto por um ideal (utópico, para muitos) é porque aprendi, com ele, o principal mantra do universo: o amor. Para mim, esta é a palavrinha mágica para a tão sonhada felicidade!


Obrigada Pai! 
Que onde estiveres recebas todo o meu amor em canção de luz e paz!

domingo, 22 de abril de 2012

Poema pra ela

Para minha afilhada, Marina.


Eu queria fazer um poema pra minha pequena. 
Poema que brinca de roda. 
Poema que fala em canção, que brota da rosa. 
Poema que brota da rosa do vestido dela. 
Que no movimento do rodopio dela me inspira e faz prosa. 
Eu queria fazer um poema pra minha pequena. 
Minha princesa, minha doce menina. 
Marina, pequena, princesa. 
Me encanta em seu rodopio, doce, serena, criança. 
Que brinca de ser o que é. 
Que é o que brinca de ser. 
E eu queria fazer um poema pra ela. 
Mas o poema não queria ser feito. 
O poema já era, já estava e já se mostrava. 
O poema era ela! 
Marina, pequena, princesa!


sexta-feira, 23 de março de 2012

Bem vindo seja este Outono!

Bem vindo seja este Outono, trazendo consigo novos ciclos, novas oportunidades e possibilidades. Para tal, que Astor Piazzolla abra esta estação que vem para o aconchego, para aquecer o friozinho que tarda em chegar. À apreciação das folhas secas e amarelas, do ventinho que insistirá em soprar e das árvores que bailam mostrando seus braços galhos secos. Que saibamos apreciar a sinfonia desta estação!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Hoje a lua quis brincar de esconder.

Hoje a lua quis brincar de esconder. Saí para ver o mundo, mas a lua não estava lá. Valeu  a pena de qualquer jeito. Vi luzes de todas as cores, bolinhas amarelas que brilhavam, outras vermelhas que formavam curvas, linhas em movimento. Vi crianças correndo e, entre folhas e flores, pai e filho andando de bicicleta. Vi velhinhos caminhando e cães passeando com seus donos. Fluxos em múltiplos passos. Ouvi a alegria por entre as risadas, pessoas curtindo uma noite estrelada , mesmo sem que houvessem estrelas no céu.  Senti o outono chegando, mesmo com a temperatura elevada. Andei sorrindo e sentindo paz. Mesmo assim, insisti em procurar a lua... que não aparecia. Duas estrelinhas piscaram pra mim e uma delas me falou sobre uma nuvem passageira. Foi então que percebi a presença da lua. Ela brincava de esconde-esconde e me dizia que eu deveria sentir e não buscar enxergá-la apenas.  Ela estava lá, mirando-me, sem que eu pudesse avistá-la.  Ensinando-me que mesmo longe, mesmo que eu não pudesse vê-la, ela jamais deixaria de sorrir para mim.

domingo, 4 de março de 2012

Por um instrumental que fala

Já faz tempo que não paro para viajar em mim. Mergulhar dentro de mim mesma, extraindo o que houver de belo, de paz. Agora, estudando e escutando "Adios Nonino" de Astor Piazzolla, senti uma necessidade/desejo/vontade de escrever. A música se encerra e eis que insisto em pô-la outra vez. Aqui, escrever, sentir e sonhar são sinônimos. Escrever o sentimento que brota do sonho desperto pela música. Um instrumental que fala, tocando a alma. Como o entardecer de domingo, que não precisa de letra para ser entendido. Eu falo entrelinhas, sinto a harmonia e me entrego às canções. Canções que calam, que no silêncio vibram, fazendo-se sentir. Invento significados e crio meus mundos. Hoje li um texto da Martha Medeiros, no qual ela falava algo como "Sempre me senti diferente das outras pessoas.. Acho que sinto diferente". Eu também acho que sinto diferente. As palavras não conseguem exprimir esse diferente, esse sentir singular. Mas a música sim. A música chega aos sentidos e fala sem que precise ser anunciada ou explicada. A gente sente e pronto. "Adios Nonino" me provocou, me causou saudade. Me fez sentir a presença do meu pai, que tanto ouvia Piazzolla. Me fez estabelecer conexões, entre outros sons, outros tons, outros sentires.. outros viveres. Em um entardecer de domingo, músicas me tocaram a alma, me causaram saudade, me fizeram voltar a escrever.

*Versão de Adios Nonino que inspirou/provocou "Por um instrumental que fala": 
Adios Nonino na Radio Uol.

*Imagem: Portal Tulipa Ruiz

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Feliz Desnatal e um Próspero Ano Todo a você*

Fotografia de Cristiana Santos

É o fim do ano de 2011... e qual o significado deste fim? Ou o que representa o novo ano que chega? Lembro que, ao completar um ano da partida de meu pai, fiz uma reflexão acerca do tempo... das datas e das convenções que giram em torno do calendário Gregoriano. "Então é Natal e o Ano Novo também!" fazem parte deste universo. O mês de dezembro finda e as pessoas listam metas para o ano seguinte. Não alcançam a maioria, mas iniciam o semestre cheias de gás e esperanças de mudanças! Esse gás se esvai aos poucos e as pessoas ficam sem ânimo, torcendo para que logo chegue o novo ano. Bom, tudo bem, é um ciclo que se encerra, dando início a novas oportunidades e recomeços. Mas estas datas ficam envoltas de uma magia um tanto falsa de almas caridosas e solidárias... que logo se quebram com o novo ano que se inicia. Precisamos parar de apenas pedir e FAZER mais, o ano todo. Esta reflexão foi suscitada através da observação do comportamento alheio neste período, mas foi potencializada com um texto que a minha amiga Tié Lenzi compartilhou na sua página do Facebook, hoje pela manhã. Tié, me dei a liberdade de encerrar as atividades do meu blog em 2011 com o texto que compartilhastes conosco.. ok?!
__________________________________________________________________________________

O que me mais incomoda é o excessivo contraste entre o Natal e o resto do ano. Note: a cidade enche-se de enfeites e luminosos que piscam, como que desejando tornar-se outra que não seja a urbe cinzenta de sempre. Mas por que cargas d`água pessoas deixam de fechar os vidros de seus carros aos pedintes, cumprimentam desafetos do serviço, contribuem com instituições de caridade, trocam abraços e presentes apenas agora?

Costumo dizer que datas não passam de convenções, e que certos estavam os personagens de Lewis Carroll, que diariamente faziam festas para comemorar o Dia do Desaniversário. Afinal de contas, por que celebrar aniversários, que ocorrem apenas uma vez por ano, e ignorar os demais 364 dias?

A mensagem de fim de ano que deixo, pois, é esta: todo dia é ocasião para acreditar no amor a despeito da aleatoriedade do universo, reafirmar esperanças (inclusive as que mofam amarfanhadas no armário do olvido), evocar sementes e estrelas como símbolos de potencial e concretização, abraçar demoradamente cada pessoa querida no mínimo 42 vezes por mês, adiar sua lápide e, principalmente, tratar de ser feliz.

Feliz Desnatal e um Próspero Ano Todo a você!

(Alexandre Inagaki)
__________________________________________________________________________________

Então encerro estes devaneios soltos, desejando que sejamos mais vibrantes, mais amantes, mais felizes e iluminados...
Que tenhamos alma de criança, diante da magia existente em uma bolha de sabão...
Que tenhamos mais paz e poesia neste novo ciclo de oportunidades...
E que saibamos aproveitá-las, a cada dia do ano!  



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por entre praças.

No último domingo curti um lindo dia de sol, de um colorido único e de uma alegria ímpar. Na beira da praia de São Lourenço, molhando os pés na lagoa que refletia um azul-céu vibrante, tornei-me voyeur do tempo. Admirei a alegria que pulsava nos sorrisos das faces que por mim passavam. Alegria esta, tão pulsante e presente nos passos desses transeuntes, em meio a tantos passos leves em descansos e enérgicos em correntes! Capturei mundos. Acordei a criança que habita em mim. Fiz das cores vibrantes uma escala de cinzas, que do preto ao branco contornavam os sons. O som do balanço enferrujado pelo tempo. Ao fundo, risadas infantis, conversas entre brincadeiras. E neste momento, entendo Fernando Pessoa quando diz: "Agora ouço o vento passar. E só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido." Ouvi o vento, senti a água e os pés na areia. Vi olhos brilhando de alegria. Vi crianças em seus belos mundos. Me vi criança em todos os meus reflexos. Me senti livre e fui poeta. Fiz canção na minha alma e senti... senti que por perceber tanto e assim, valeu a pena ter nascido.





sábado, 8 de outubro de 2011

Estalares em percepções

Em 7 de outubro de 2011, assisti as duas últimas conferências do 5º SIMP (Seminário Internacional de Memória e Patrimônio - Memória e esquecimento). No fundo da sala, minhas percepções começaram a interagir com o ambiente e compartilho aqui meus devaneios (palavras que tentam traduzir minhas efêmeras percepções) em meio a palestra de Jorge Quillfeldt - A natureza flexível da memória animal: esquecer é o menor de seus problemas...

___________________________________________________________________________________

Da memória de reviver o passado
Completa memória complexa
Equações, esquecimentos
Pertencimento
Analogias e fundamentações com grandes nomes
O que é ciência?
Fato comprovado
Que não relativiza
Abra-se caminho às construções de processos
Em interatividades
Questões, compreensões
Tempo de abstração
Olfato, memória
Lança estações transmissoras
Evoca, corrobora
Animais audiovisuais
Cheiro de café em dedos brancos
Cálidos espaços entre falanges
Demasiados tons em sinais
Apalusos, ecos e anéis
Estalares em percepções

Do esquecimento de viver o presente
Complexa memória completa
Metáforas, reflexões
Identidade
Aprofundamento na psique da alma
O que é tradição?
Fato vivido
Relativização
Delineando processos em conexões
Respostas, versões
Tempo de absorção
Audição, memória visual
Lança estações transmissoras
Evoca, corrobora
Animais audiovisuais
Som do burburinho em notas brandas
Caladas entoando cores
Harmonizando sons entre vocais
Andares, compartilhares labiais
Estalares em percepções

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Conexões entre artefatos.


Em um emaranhado de conexões estabeleço processos, me desenvolvo em meio a muitos retrocessos. Representações, mentalizações, percepções. Na teia de significações onde me encontro, me vejo do lado de fora, invisível, atribuindo novos significados aos elementos conectores dessa teia. Revelo, desvelo. Me desmantelo. Prolixa, como uma de minhas características. Escrevo, transponho. Não em tábula rasa, mas em um processo que visa o desenvolvimento das percepções e apreensões. Captando mundos. Retratando fatos. Conexões entre artefatos.


*escritos em uma aula sobre a interpretação das culturas -  geertz.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

À Mila.

Para Camila Born

Há dois anos atrás, neste data, tivemos de despedir-nos. Uma despedida forçada, sem tempo para abraços e afagos. Ficou o amor e a alegria de tudo que vivi ao teu lado. Ficou a referência e a força da sabedoria. Ficou o conselho não dito, ficou tudo o que foi e será sentido. Ficou impresso na alma. Virou tatuagem na pele. Ficou a luz e o canto gravado. Ficou na memória. Impresso no coração. Ficou toda a admiração. Ficaram as confidências e o conforto. Ficou o vazio sem a tua presença. Ficou a dor que virou saudade...


Mila, onde quer que estejas, obrigada por significar tanto para mim e por ter feito parte da minha vida, de um jeito muito especial! Te amo e te levarei sempre comigo, por onde quer que eu ande... Um abraço e um afago carinhoso na tua alma e no teu coração!!

O quê estes filmes têm em comum?

O quê estes filmes têm em comum?
"Le fabuleux destin d'Amélie Poulain", "Uma vida iluminada" e "Coisas insignificantes".