Sobre este espaço

Este é um espaço destinado à reflexões acerca da memória, do tempo e de histórias.. Histórias de vida, histórias inventadas, histórias... Um espaço onde a imaginação possa fluir, viajar. Um espaço também para escrever sobre minhas reflexões referentes aos meus estudos sobre arqueologia e antropologia... Antes de mais nada, uma espécie de Diário daquilo que me impulsiona, um lugar para organizar (ou tentar) meus pensamentos.. antes que eles voem por aí.

Boa exploração!

Roberta Cadaval

sábado, 20 de março de 2010

Objetos da memória


13 de janeiro de 1994. Manhã ensolarada, temperatura agradável. Enfim chegava o dia tão esperado por Íris durante a semana inteira. Era um dia especial para ela, pois a família se reunia nos finais de semana e ela podia se divertir e brincar com seu primo, Luan.

As reuniões aconteciam todos os finais de semana, mas aquele era especial. A família possuía uma chácara e era para lá que eles iam todos os finais de semana. Porém, desta vez seria diferente, passariam o final de semana na praia.

8h30: Íris entrou no carro de seus pais – um fusca marrom - e enquanto os aguardava no carro, abriu sua mochila, conferindo os brinquedos que havia pegado. Dentre eles, estavam uma caixinha de música, uma pequena boneca de pano, uma caneta roxa (que a menina descobriu no meio das coisas de sua mãe) e uma caderneta – que ela usava como diário, escrevendo sobre suas atividades diárias. Além destes, ela guardava os brinquedos de praia, e algumas bonecas de plástico, para brincar na água. Em seguida, seus pais colocaram as malas no carro e partiram rumo ao encontro dos outros familiares. Na casa de praia, largaram as malas e correram para a praia, para aproveitar a manhã tão linda.

9h15: Íris e Luan corriam em direção ao mar. Não sei por que as crianças sempre agem como peixinhos.  Depois de um tempo, foram brincar na areia, montaram castelos que se desmoronaram, e por fim criaram uma pequena cidadezinha de areia. Luan havia levado uns bonequinhos pequenos e um barquinho de plástico. Com algumas conchas e pedrinhas eles criaram os limites da pequena cidade e com um buraco feito na areia criaram um grande lago. Em pouco tempo aquela cidade estava habitada. Habitada pela imaginação dos dois primos que se divertiam em meio a muitas brigas, o que era normal. Os dois primos nem perceberam quanto tempo havia passado, para eles, parecia nada. Logo o tempo começou a virar, aproximava-se uma grande tempestade. Íris e Luan nem se afligiram e continuaram brincando. Até que ouviram a voz de seus pais os chamando com pressa para entrarem no carro. Quando Íris estendeu as mãos para pegar os brinquedos sentiu ser agarrada com força pela cintura enquanto começava a soprar um forte vento. Era sua mãe, que com pressa pegou a menina do jeito que estava e a colocou dentro do carro. A maré subia e grande parte das coisas foram levadas pelos mar. Nas mãozinhas da menina restaram apenas 3 objetos pequenos. Quando todos entraram nos carros começaram a cair os primeiros pingos. Em questão de poucos minutos a tempestade tomava conta do lugar.

Ao chegar à casa de praia, um a um foi tomar um banho quente, pois o frio havia invadido o lugar. Íris, muito triste pelos brinquedos que a maré havia levado, foi limpar o que havia ficado em suas mãos. Ela havia pegado um bonequinho de Luan, uma concha e um objeto estranho, o qual ela não conhecia – e que não fazia parte da cidade criada pelas crianças na praia.

O objeto tinha uma forma oval e cabia na palma da mão da menina. Muito leve, era de um material diferente, que íris nunca tinha visto. Parecia uma pedra, mas não pesava nada. Estava muito sujo de areia, e quando a menina lavou pode enxergá-lo melhor. O objeto quase brilhava. Era de uma cor diferente.. Uma mistura da cor de terra com um tom alaranjado.. Era lindo. A menina não conhecia aquela forma, nem aquela cor e ficara impressionada com aquela pedrinha brilhante em suas mãos. A tristeza pela perda dos brinquedos havia perdido o lugar para um sentimento que ela jamais soube explicar.
Íris guardou aquele objeto dentro da caixinha de música e se deitou de bruços em sua cama. Com a caixinha aberta, visualizando tal objeto, a menina começou a escrever sobre o seu dia.

Querido Diário,
Hoje fui à praia com mamãe, papai , tio Carlos, tia Bete, dinda, tio Renato, tia Fátima e Luan. Eu e o Luan brincamos bastante e construímos uma cidade diferente na areia!  Lá as pessoas todas se tratavam bem e gostavam umas das outras. Não haviam guerras.  Todos trabalhavam em união, para obter o seu sustento.Não existiam ladrões. Todo mundo podia andar livre pelas ruas e a vida era uma festa!  Todos os animais eram amigos das pessoas. Era um lugar cheio de paz. Eles utilizavam amuletos como símbolos de paz interior  e cada bebê que nascia recebia um de presente.
Depois choveu e tivemos que ir embora da praia. Mas aconteceu algo tão estranho...
Voltei pra casa com um pequeno objeto... tão bonito. Acho que eles me enviaram um amuleto!
Agora vou almoçar!
Íris


O quê seria aquele objeto e de onde vinha?
Teria sido trazido pelo mar? E a quem pertencia antes de chegar as mãos de Íris?
Se tratava de um elemento feito pela natureza ou pelas mãos do homem?
Que história ele trazia consigo?
Seria fruto da imaginação da menina? Aquela civilização teria de fato existido?


Íris nunca descobriu, mas, a partir daquele final de semana sua vida mudou completamente.

4 comentários:

Lidiane disse...

Parabéns pelo Blog, tá lindo!!!

Cláudio Azevedo disse...

Ótimo!!! Continua com a sensibilidade na tradução escrita de tuas ideias e imaginações. Estarei acompanhando! Parabéns, a você e a Iris, hehe...

may zinn disse...

aii que trii!! adorei rô
to loca pra saber o que acontece com a Iris agora...
beijos

Ca Tavares disse...

nada mais a se esperar do que muita sensibilidade e coração subentendidos nas tuas palavras! parabéns pelo blog! amo!

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